APRENDIZ DE LEITOR

Uma página de alguém que, por influência e necessidade, decidiu dedicar mais tempo a leitura e ao devaneio. Consciente de que a produção textual é um desafio que se faz necessário a cada dia.

sábado, 10 de julho de 2010

QUADRO FERIDO


Conhecíamo-nos de tempos, só que dessa vez o respeito já não era tão necessário quanto na época em que te vi pela primeira vez. As palavras já não são mais tão selecionadas como eram. Pra quê? As formalidades realmente se foram de vez. Que pena?! Que nada!

De repente te encontro com outros olhos. Olhos que talvez estivessem um tanto quanto pervertidos pelo tempo e pela ausência de visões tão deslumbrantes como a que agora me deparo. Tão jovem ainda se comparada a minha idade. Não tão avançada assim, mas para você sempre foi motivo de gozação. Tentei não me importar muito com suas brincadeiras em relação a isso, mas às vezes, confesso, isso me chateava demais. Deveria ser o meu medo da real velhice que fazia isso comigo. Pintava um quadro.

12 de dezembro de 1980 – lá estava você naquele palco. Formatura. Eu não pudera sequer demonstrar o quanto sentia um enorme afeto por você. Seria estranho demais as pessoas perceberem o que eu sentia, sendo que não seria compreendido por ninguém. Estive ali todo o tempo, com os olhos fixados em você. Não poderia perder nenhum momento. Nenhum sorriso, ou quem sabe o olhar que eu ansiava receber. Depois de tanta falação chegou o meu momento. O de te dar o abraço de parabéns. Dei. Você não percebeu minha real intenção. Mas me deu, além do abraço, um belo e reluzente sorriso. Pintava um quadro.

02 de fevereiro de 1981 – você não mais pertencia ao meu grupo. Se fora. Agora participaria de outras tribos. Quem sabe essas seriam mais desenvolvidas do que as de antes. TALVEZ. O tempo é um ser que me perturba. E agora? Fui inconveniente e me fiz o convite para que eu pudesse te ver mais de perto. Foi inútil. Não sutil efeito algum. Pensei em desistir, só que era o que eu não queria. Minha mãe sempre me dizia: - Nunca desista meu filho! Nunca. – eu não poderia apagar assim um ensinamento tão belo.

Com o tempo as datas já não eram mais tão importantes assim. Deixemo-nas de lado. Continuemos a pintar o quadro.
Que tal o aconchego daquela poltrona. Tinha uma pedra no caminho. Eu sei que deveria fazer algo para eliminar qualquer empecilho, mas minha força não era ainda suficiente para removê-la dali. Foi preciso apenas esperar para que o ser tempo se encarregasse de desgastar a maldita pedra que me amarrava longe de você. O sopro foi forte. Sem barreiras agora. Tudo mais fácil. Mero engano. Sem novos traços na pintura.

Percebi que o cacau é um bem que trabalha em nosso favor. Não era comprar. Não no meu ponto de vista. Para outros... investimento alto. Fechar os olhos durante o período que me recostava no Divã não era nada agradável porque eu perderia preciosos momentos em que poderia, talvez, assistir seu sono. Mas o meu era de igual tamanho. Afinal estava ali há mais tempo que você.

Novas pedras no caminho, surgiram.

Surge o primeiro convite como algo do além. Foi tão de repente. Recusar seria abrir mão de possibilidades. Pode ter sido Zeus ou Deus? Sei lá; foi o destino. Não existe. Aquele ambiente muito me agradou e sabia que não poderia ficar apenas com a primeira viajem ao templo do encantamento. Tinha tanta gente lá. Não tive chance de me aproximar. Por esse motivo mesmo é que tive que batalhar pela nova possibilidade de estar aquele “bendito” lugar e continuar a pintar meu quadro.

Outra. Outras. E outras visitas. Todas por convites. Até o dia que não mais esperei por nenhum. Agora estávamos bem mais próximos. As viagens ao grande templo eram mais freqüentes. Eu não percebi, mas te cansei. Ou não. Ajudar-te na manutenção daquele lugar se tornara para mim um privilégio. Não percebeu? Agora, sim, eram investimentos.

Era tudo tão encantador. As esculturas e pinturas das paredes brilhavam como nunca. As câmeras que ali estavam para vigiar aquele que tocasse na mais preciosa das pinturas, chamada Rader, me vigiava todo o tempo. Algumas vezes eu hesitava em tocá-la, mas logo me dava conta do risco que estava correndo. Mas por que não cometer sequer uma infração? Cometi várias. Se me arrependo? Só pelo que eu não pude fazer na época.

Não resisti. Levei Rader para casa. Devia haver um bruxo que transformasse aquela linda imagem em algo real para mim, mas minha descrença não permitia que eu buscasse esse recurso. Nem acreditava que daria certo algum dia. Eu queria simplesmente cuidar da bela pintura. Grafitada. Eu pintava o meu quadro com muita dificuldade.

A imagem que eu tinha visto no palco do dia doze de dezembro de 1980, agora estava na minha mão. Eu poderia acariciá-la ou deprecia-la. Só que as coisas tomaram outros rumos. Me apeguei demais a algo que não era meu. Havia roubado de outras pessoas. Pessoas estas que freqüentavam aquele templo há mais tempo que eu. Mas estava ai meu mal. ROUBAR!

Como era bonito acordar e ser coroado com aquele sorriso, em alguns dias, tão sombrio, mas logo se transformava no mais belo diamante e me alegrava. Eu compenetrado nas imagens que me vinha à cabeça. E se alguém ousasse te roubar de mim? Era possível sim. Afinal era uma das jóias mais precisas daquele lugar que ,às vezes, me perturbava. Trazia paz. Era paradoxo interminável.

Na noite de 1987, após o delicioso jantar, peguei a tesoura mais afiada que encontrei e comecei, em um ato involuntário, a perfurar todo o retrato de Raider. Era meu retrato, ou de mais ninguém. Nossa. Esse era um pensamento que eu sempre expulsava da minha cabeça. Mas isso não vem ao caso. Quero apenas relatar como eu consegui ferir você naquele dia. Não compreendi o que fizera.

Já que as palavras não eram mais escolhidas. Comecei a atirá-las como pedras ao léu. Palavras não são pedras, porém perfuram tanto quanto. Eu chorava depois. Você, rasgada. Apagada. Imersa em lágrimas.
Eu não entendia da mente tão bem quanto você. Iniciante ainda.

Na ultima noite que te vi. Estava diferente. Cativante. Pena! Eu estava armado. Te feri como nunca. Tive que sair correndo e deixar você sangrando. Naquela noite sombria me recusei a dormir. Precisava refletir sobre o que havia feito. Tentei consertar, mas você sangrava demais para poder me ouvir. Não ouviu ninguém. Eu, sem palavras. Peguei tudo que tinha e parti. Para bem longe. E prometi que naquela noite seria a ultima em que eu ferira você. Talvez agora eu perca você para sempre. Ou talvez eu repense ações que firam não a face, mas o coração. Sinto muito. Preciso do seu perdão.

sexta-feira, 26 de março de 2010

ALGARISMOS

Não procuravam um ao outro. Como que por ironia ou vontade do destino, se é que isso realmente existe, se acharam. Juntos. Naquela noite, passeando por lugares, até então, pouco explorados. Lá estavam. Cada um vivendo em seu mundo e nem imaginando o mundo do outro. Quando subitamente surge o convite para a conversa. Com receio, mas pouco medo do ser desconhecido, o convidado aceitou, e, partiram para um lugar bem mais reservado que aquele onde estavam pela primeira vez.

A princípio era algo tão comum. Até mesmo porque já havia acontecido outras vezes. E no pensamento vinha sempre a frase de que aquela conversa seria apenas mais uma e de que nada passaria daquilo. Outra simples ilusão e possível sofrimento estavam nascendo.

Pela madrugada iam e os olhos já lacrimejavam refletindo o cansaço dos corpos que haviam se ocupado de atividades desgastantes durante o dia. As conversas eram das mais diversas, falaram sobre tudo, história, geografia, matemática, língua portuguesa e até ensino de idiomas, mas em nenhum momento falaram sobre coisas da vida pessoal. Mantiveram em sigilo essa parte. Ainda era muito cedo para confiar em alguém desconhecido. Duas pessoas que se entendiam nas conversas intelectuais, uma conhecedora a fundo das exatas, a outras, das humanas. Eram seres totalmente opostos.

Hora de se despedir e combinar o próximo encontro, mas não deu tempo porque uma queda de energia fez com que não dissessem nem mesmo um simples adeus. E de repente não mais se encontravam frente a frente. Tentaram se achar logo em seguida, mas a escuridão e o silêncio daquela madrugada não permitiram. Quem sabe no outro dia pudesse voltar aquele lugar e se encontrar de novo. Mas sabiam apenas um nome, e, para piorar, não era confiável. Podia ter qualquer outro. E se fosse um nickname. Não. Já estava viajando para o mundo da informática. Não seria nickname e sim codinome.

Combinaram um código que facilitasse o reencontro. Um deles acatou com entusiasmo. Agora o sinal que uma criou havia se tornado como parte da outra. Que ideia geniosa, pensaram. Porém, a tal inspiração falhou e o código se perdeu entre tantos outros que se podia ter acesso.

Saiu à procura na noite seguinte. Passava por vários lugares onde possivelmente poderia estar àquela criatura por quem tanto havia se encantado. Incansavelmente gastava seu tempo com olhares atentos a cada movimento. Ia e vinha. Não importava a hora, o que queria era rever quem tanto lhe trouxera graça na noite anterior. Como um inseto que cava e nada vê, assim era sua persistência, mas infelizmente, voltou triste para casa como quem perde o bonde da esperança.

Não podia deixar que acabasse algo que nem havia começado. Decidida saiu outra vez à procura da jóia preciosa. Dessa vez com maior disposição e decidiu até mesmo se arriscar em um diálogo com uma pessoa estranha que achava ser aquela com a qual se encontrara antes. Só que no decorrer dos fatos, percebeu que não era ela. Totalmente decepcionada, outra vez, retorna sem notícias. Mas era apenas o começo daquela caçada. Não desistiria fácil.

A busca foi incessante por semanas. Todos os dias, mesmo com dores pelo corpo se arrumava e saia invocando ajuda dos deuses para que a encontrasse ao menos mais uma vez. Não havia explicação para que estivesse se sentindo tanta falta de alguém que mal conhecera. Isso se tornava cada vez mais surreal.

Caminhava outra vez pelas ruas desertas e ao mesmo tempo tão movimentadas. O perigo estava ali. Logo à sua frente, mas aparentemente nada amedrontava sua busca incansante. Olhava cada passo dado para ter a certeza de que não havia deixado para traz quem tanto queria encontrar logo à frente. Outra vez, olhando o vento tocar as folhas secas que estavam caídas no chão daquela avenida deserta, volta para casa cabisbaixa. A tristeza agora já não mais batia a porta, mas invadia sem piedade aquele coração amolecido por uma pessoa desconhecida.

E mais uma vez saiu. Colocou uma blusa aconchegante para que o frio não lhe perturbasse a busca. Aquela blusa, amarela, com capuz e bolsos para esquentar as mãos. Preferia tê-las frias para assim se sentir mais eufórica. Depois de muito caminhar sente que já não agüenta mais aquela brisa gelada tocando-lhe a ponta dos dedos. Coloca-os nos bolsos e sente, do lado direito, um pedacinho de papel mal dobrado, na verdade quase amassado. Certamente, mas um lixinho que guardava para não sujar as vias públicas daquela cidadela. Ignorou e prosseguiu. Não o cansaço pela busca inútil, mas o frio insuportável da madrugada fez com que voltasse ao lar sem nenhum sinal.

Já em seu quarto, aparentemente aconchegante, começa a se desfazer de todas aquelas roupas que usava. Começando pela blusa que já a fazia suar por tanto ter caminhado. Não poderia ter jogado aquele papel na rua. Aquele arquétipo de uma bola que alunos jogam uns nos outros, mas agora era hora de jogar no cesto de lixo que se encontrava na varanda da casa. Prefere jogá-lo ali mesmo no canto do quarto que tinha cada coisa em seu lugar. Olhava para os livros que estavam sobre o criado mudo. Havia várias leituras por acabar, só que se achava sem ânimo para adiantar qualquer uma delas. Era sempre melhor deixar para o outro dia porque leria com mais tranqüilidade as incríveis obras de Machado de Assis e Álvares de Azevedo, e agora ainda mais um começado, Contos Russos. Observava atentamente as cores daquelas paredes. Escolheu as cores que mais amava, verde e azul, com exceção da branca que lhe agredia os olhos tão sensíveis e coloridos artificialmente. Tudo aquilo parecia simbólico demais, mas não tinha razão de ser.

Do fim do corredor um silêncio invadia seu espaço. Não causa-lhe medo, mas trazia pensamentos sombrios da infância conturbada que vivera. Mantinha sempre a porta fechada para que o corredor não a fizesse se lembrar de tantas coisas ruins. Pegou um dos livros, mas preferiu ouvir músicas. Agora já não mais ouvia as de costume. As que lhe disseram que deveria ouvir. Desde o dia que encontrara com tal criatura muita coisa fora mudada em seu interior. A música, nem sempre suave, tocava seus tímpanos e acabava lhe perturbando o sono porque ainda não tinha costume. Mas estava disposta a aprender. Afinal aquilo era mais que natural para todos de sua família ausente. Ao som, adormeceu com esperanças de uma nova procura e que fosse satisfatória no próximo dia. Já estava se cansando de tudo aquilo e percebendo que não mais adiantaria perder tanto sono e se arriscar pelas noites por algo tão duvidoso.

Colocar as roupas sujas da noite anterior no cesto era uma das primeiras atividades a serem realizadas na nova manha que nascia. Dar uma morada digna aquele pequeno papel, que até agora não se incomodara em conferir o que era. Não tinha importância, com certeza não se passava de mais um daqueles que guardava nos bolsos e depois os encontrava todos embolados pela máquina de lavar. Mas a textura desse pequeno enrolado era, de fato, diferente dos demais. Decidiu conferir e outra vez confirmou que não se passava de um endereço que anotara e colocara ali. A cabeça já estava cansada, mas funcionando bem. Lembrou-se de que não havia anotado endereço de ninguém na última semana e perturbou-se quando não recordava de forma alguma daquele papelzinho. Já que não conseguia trazer nada à memória sobre o fato, decide guardar aquele pequeno em um lugar que pudesse olhar depois. Na estante, feita na parede mesmo, decide colocá-lo ali porque talvez fosse o lugar mais seguro. Estaria bem longe das vassouradas da mão que era amante da limpeza.

Ao chegar do passeio que havia feito logo pela manhã ensolarada decide conferir o conteúdo do bilhete e agora percebe que aquela não era sua letra. Mas poderia ser porque, afinal, cada dia escrevia com uma caligrafia diferente. O que a levava a pensar que realmente não tivesse uma personalidade definida. Só que se forçava a pensar o contrário. Quem consegue fazer vários tipos de letras é agraciado porque não se prende a uma coisa apenas como sendo definitiva. Sendo assim, o que estava anotado ali podia ter sido escrito por sua mão própria com unhas roídas em excesso. Agora não podia mais roê-las.

A noite já se aproximava e depois de um banho colocou uma roupa que disfarçasse bem sua real identidade. Isso era secreto demais. Não poderia se expor saindo aquelas horas a procura de algo que ninguém poderia ajudar a encontrar.

Outro dia sem resultado. Busca perdida. Agora já em seu quarto aquele pequeno pedaço de papel encontrado no bolso da blusa amarela lhe desperta interesse. Ao pegá-lo percebe que há um número de telefone escrito. Porém, não consegui se lembrar de quem fosse aquele número. E nome? Não escrevera. Alguém não escreveu. Pegou o papel e se dirigiu ao telefone para tentar descobrir quem era o dono daquele número desconhecido. Ao discar percebe que não constam todos os números. Faltavam os últimos dois. Recorda-se de uma frase da pessoa com a qual conversara tempos atrás quando falavam sobre idade. “Os números nos enganam.” Não estava enlouquecendo.
Aquele número realmente poderia ser de quem tanto procurava. Imaginava com fé.

O desespero invade-lhe a alma porque mesmo com aqueles números em mãos era impossível descobrir quais eram os últimos dois. Haveria uma solução para isso e teria que começar de zero a zero percorrendo até o noventa e nove para descobrir de quem era mesmo aquele tão misterioso número. Era preciso comprovar as expectativas. Estava muito duvidoso. Por mais de duas horas tentou até o número cinqüenta. Já se sentia muito cansada e, como não morava só, havia mais pessoas que precisavam usar o telefone.

A outra parte teria que ficar para o dia seguinte. Não tinha mais condições para tal tarefa. Precisava de ajuda. Talvez a internet pudesse auxiliar a encontrar alguém que com mais rapidez descobrisse quais eram os algarismos ausentes. Precisava de alguém que tivesse intimidade com números. Havia na sua frente uma lista de matemáticos e físicos que fora dada pelo computador. Anotou o endereço de um matemático. Seria melhor que o físico para realizar esse simples trabalho. Probabilidade.

Agora era ter coragem de procurar um profissional para que ele socorresse aquele ser que cada dia mais se desesperava em busca de algo tão distante. Iludira-se demais com apenas uma conversa, mas havia recebido tantas informações naquele dia e que considerava importante repetir a dose. A mesma dose que já não tomava por semanas. Decidida. Se arruma e vai a procura do endereço que anotara ali.

Preferia a noite para realizar seus feitos que seriam condenados por sua família e amigos. Ninguém sabia do que se tratava aquelas saídas tão tarde. Mas ele, o lógico, quem havia marcado. Agora o medo invadia o coração desesperado daquela que como cão de caça ia atrás da presa. E se fosse muito caro aquele trabalho? O dinheiro não era pouco, mas poderia não ser suficiente mesmo assim. Não podia passar por tamanha humilhação. Decide ir.

Ao chegar ao local indicado. Casa número vinte e nove. Avista a campainha e se aproxima. Ainda podia desistir daquilo e voltar para casa sem nenhum constrangimento. Mas já estava ali e não poderia ser tão medrosa, como sempre fora, não agora. Busca forças e aperta chamando assim a atenção do morador que a aguardava. A porta se abre e ouve o convite para que entrasse. Aceita e adentra aquela sala super ampla, mas não era ali que seria atendida. Continua caminhando e logo avista uma pequena sala no final do corredor.

Era uma sala não muito iluminada, mas bastante aconchegante. Na estante avistava sombras de livros e logo à sua frente uma poltrona e lá sentado estava a pessoa que poderia ajudá-la a solucionar o tão delicado problema. Após minutos de conversas e depois de ter-lhe contato tudo o que estava acontecendo à sala se silenciou e nada mais se ouviu. Ele não havia feito nenhum cálculo, porém avisa que já sabia muito bem quais eram os dígitos que estavam omitidos. Impossível. Mas ele afirmou com muita certeza. Era preocupante.

Chegou a pensar que não fosse matemático e sim uma dessas pessoas que se dizem sensitivas e que talvez ele tivesse buscado recursos em coisas do além. Depois de pensar isso se sentiu completamente idiota. Não era nada daquilo que pensara. Ela decide perguntar como ele havia, tão rápido, descoberto quais eram aqueles números.Não há possibilidades, afirma. A resposta foi simples e única. “A maior possibilidade você já efetuou ao me encontrar”. Ela, subitamente, coloca-se de pé e disposta a sair daquele lugar pergunta quanto deveria pagar pelo trabalho. Nada. Foi a resposta. Espantada. Estarrecida. Nunca se sentira daquela forma.

Não seria tão inocente de acreditar de primeira nas palavras de alguém que sequer havia mostrado o rosto. Disse que não acredita que ele fosse a pessoa que tanto procurava. Ele decide, de certa forma, provar que o era. Mas seria impossível porque ela não acreditaria em nada daquilo. De repente ele começa a repetir tudo que eles haviam conversado na noite do primeiro encontro. Agora era um momento muito delicado porque não sabia mais o que fazer e arrepende-se por ter encontrado quem tanto procura. Estava completamente sem ação, porém, ele de repente levanta-se e de frente com ela segura-lhe a mão. O coração gela e as pernas já não mais estavam em bom estado. O medo gritava dentro dela; ele, com toda educação, apenas disse para que não tivesse medo de nada.

Vagarosamente a puxa pelas mãos e agora os dois se encontravam frente a frente, olhos nos olhos. Fitando um ao outro. Sem ação. Mas não queria mais sair dali sem ao menos saber o nome de quem tanto lhe encantara. Mas ele, vagarosamente, aproxima-se e faz com que seus lábios delicadamente toque os dela. Não deu tempo de perguntar pelo nome, apenas se deixou levar por aquele momento pelo qual esperava, ou não. Ela se afasta. E com um adeus se despede. O nome levara consigo em seu ouvido. Ele havia cochichado. Era um nome simbólico. Montado. Bonito.

Com passos largos ela corre de volta para casa. Era muito longe aquele lugar onde buscara ajuda e encontrara muito mais. Pegou o primeiro taxi que avistou e rumou para casa. Já era tarde quando conseguiu estar em seu quarto outra vez. Agora estava totalmente desesperada. O problema do qual queria solução não existia, pelo contrario, acabara de nascer um bem maior que o anterior. Não queria pensar assim porque aquele beijo fora tão bom. A boca carnuda fizera-lhe sentir-se saciada. Tão doce. Tão molhado.

Havia sido beijada por outras bocas. Estava sendo. Mas aquela fora, por demais, diferente. Incomparável. Precisava de repouso para colocar seus pensamentos no lugar e perceber que aquilo realmente havia acontecido.

Nesse dia usava sapatos marrons. Tira-os e coloca-os junto do tênis branco que usava em suas caminhadas no entardecer de todos os dias. Não tinha disciplina para tal façanha, mas era necessário deixar aquela vida de sedentarismo. Não tinha mais ânimo para academia. Pretendia retornar ainda naquele semestre que terminava a graduação. Desfez-se de todas as roupas que trajava e decide tomar um banho para se sentir, quem sabe, menos tensa. Foi excelente ideia. Dali pra frente não mais tirava aquele nome da cabeça. E não poderia esquecer aquele rosto. Aquele toque. Gosto.

A partir daquele dia muito de sua vida seria alterado. Não era uma simples paixão porque não acontecera apenas entre os dois. Isso envolvia mais gente na história. Ela não tinha com quem dividir o que sentira naquela noite. Seria arriscar demais procurar alguém que pudesse dividir sentimentos tão profundos. E tinha plena certeza da incompreensão. Sentia-se só mesmo naquela casa repleta de pessoas que a amavam.
CONTINUA

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

TROCA DE SENTIDOS

Fazer distinção entre certos conceitos da língua portuguesa é bastante complicado para nós brasileiros. Imagina para um estrangeiro então. Quase todos os dias deparamo-nos com novas palavras, para os lingüistas, léxicos, que nos deixam com muitas dúvidas. Palavras essas que nunca se ouviu antes. Por exemplo: fale-me sobre o emprego da próclise, mesóclise e ênclise. Meu Deus! Isso foi, demasiadamente, constrangedor. E assim vários são os desafios que nos são lançados no nosso dia a dia como por exemplo distinguir educação de humildade.

Depender de transporte coletivo é extremamente cansativo, mas às vezes, ou quase sempre é necessário encará-lo de dentro ou por dentro. É uma loucura. Você anda muito para pegar o bendito. Interessante é que quando se consegue um banco logo vem àquela velhinha toda torta e encosta, justamente, no seu assento. Agora é fingir que está dormindo. Talvez fosse um bom escape até alguém que está de pé, e não quer ver a sua felicidade, te dar aquela “cutucadinha” básica e dizer: “dê lugar a essa senhora meu rapaz”.

Sendo educado, certamente, qualquer pessoa levantaria. Outras, talvez, não. Depende do humor de cada um. Talvez não só do humor, da educação que receberam, ou da humildade que reside em seu coração. Tem dia que somos forçados a ir pelo humor, mas a educação grita mais alto. (Grita alto, essa é boa). É um desafio constante nos por à prova.

Observe. Se você anda mal arrumado, todo “largadão” as pessoas vão começar a rotulá-lo de HUMILDE só por causa da roupa aparentemente ruim. Estranho a gente relacionar roupas com ser humilde. Se você se levanta pra “bendita velha”, é humilde. Mas acredito que seja educação. Se gostar de ajudar alguém é porque é humilde. Pode ser prestatividade.

Uma pessoa disse a mim que eu precisava ser mais humilde. E eu sem pensar repondi que não existia pessoa mais humilde que eu. Fui chamado de soberbo e orgulhoso. Você não pode se achar humilde. Não sei por que não temos esse direito. Você não tem nada de humildade se anda de crossfox vermelho. E se alguém cai na besteira de dizer que um rico é humilde é, na hora, taxado de bajulador.

Segundo o dicionário Aurélio online humildade é: “s.f. Ausência completa de orgulho. / Rebaixamento voluntário por um sentimento de fraqueza ou respeito: praticar a humildade. / Modéstia, pobreza: apresentou-se na humildade de seu trajo. // Com toda a humildade, tão humildemente quanto possível.” Sendo assim, qualquer um pode ser humilde. Não há a necessidade de humildade todo o tempo. Isso seria ser desumano já que nós estamos dotados de toda espécie de sentimentos e acredito que todos eles se fazem necessários. Até mesmo aqueles que revelam a parte ruim de quem somos.

Que aprendamos que ceder assentos à velhinhos não prova que você é humilde. Pode ser apenas uma bonita demonstração de educação e, sinceramente, fazemos isso pela pressão que nos é imposta nesses meios de transportes. Acredito que não tenha respondido á pergunta que você me fez em relação ao que era ser humilde ou humildade. Se lá. Apenas lembrei do assunto.

domingo, 24 de janeiro de 2010

NÃO GOSTO DISSO. URGH!


Ao nascer temos contato com um dos elementos primordiais à nossa existência. O leite materno. Muitas crianças nascem com uma enfermidade chamada refluxo, o que não permite que certos alimentos fiquem no estômago. E acabam, assim, regurgitando todas as vezes que se alimentam. Mas com o passar do tempo e com tratamentos tudo se resolve e começam a se alimentar normalmente.

Quando crescem começam a selecionar tipos de comida. Não por conta de doença agora, e sim por vontade própria. A mãe até que insiste várias vezes para que o filho como de tudo afirmando que é bom para o crescimento. Verduras, frutos, legumes e outros, mas é inútil porque aquilo que está sendo oferecido pode não ter o sabor que esperam e, sendo assim, preferem deletá-los de vez de todas as refeições.

Agora já freqüentando a escola as crianças se alimentam, não apenas de comidas comuns, mas de leituras que pouco agradam, não ao estômago, mas ao ego. Quando a professora pede leituras para casa é ilusão porque quase sempre chegam sem essas leituras realizadas. Existem raras exceções, é claro.

Já na universidade paramos e percebemos que não se alimentar de certas leituras que foram propostas tempos atrás nos faz falta hoje. Crescemos sim, mas com carência nessa área. Quando nos oferecem uma leitura que não gostamos, logo dizemos que não queremos nem ao menos ver a capa do livro. Quem sabe se provássemos sentiríamos grande prazer em degustar esse algo estranho.

Trilhar o universo da leitura, para muitos, é como se fosse engolir todas as comidas que se abomina. Ao ponto de pensar que pode se ter indigestão ou coisa assim. E tem. A cabeça dói, as vistas cansam, e dizemos não entender nada disso que lemos. É desafio constante manter-se nesse caminho. As letras, às vezes, nos sufocam, mas por outro lado abrem completamente nossa visão e nos faz ir além daquilo que vemos.

A leitura é um único caminho que nos tira da completa ignorância e nos auxilia a enxergar a sociedade em que vivemos com olhos mais críticos. Agora, depender de outros para sair desse submundo é não usufruir da inteligência que possuímos. Uma pessoa que muito adimiro e que considero importante disse: “Ou nos tornamos autodidatas, ou seremos eternamente burros”. Aceita?

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

UM TEXTO UM TANTO QUANTO SEM... NEXO.



Depois de muitas tentativas. Incontáveis até. Nada. Não funcionava. Porém, a persistência falava mais alto e não desistia de seu maior objetivo. Travar mais uma daquelas boas conversas

-Bom dia!
-Bom dia, como está?
-Bom as coisas não estão muito bem... Deixa pra lá.
-Mas... o ano mal começou, como as coisas parecem não estar muito bem? Não há razão.
-Nunca há razão pra nada. Tudo acontece de forma não planejada. Sabe, às vezes ou sempre, não consigo entender o motivo de várias coisas que me acontecem.
-É... acho que você tem razão. Mas devia levar as coisas menos a ferro e fogo. Assim você acaba se estressando menos.
- Não sou estressado.
- Mas eu não disse afirmando que você seja uma pessoa assim.
- Disse sim. O único problema é que me preocupo demais com tudo. Sei bem que existem algumas coisas que eu poderia deixar de lado, mas não consigo.
- Porque não tenta.
- Como assim não tento? Eu me mato de tentativas, porém, sempre frustradas.
-Você apenas diz não se preocupar... eu sei que você disfarça todo o tempo.
- Não. Você não sabe. Ou sabe? Espera. Me fala mais sobre esse EU SEI.
- É melhor deixar pra lá. Não me sinto bem para te dar explicações hoje.
- Tudo. Não insisto. Você conhece muito bem minha ansiedade. Mas, concordo com você. Esquece.

E a conversa continuava fluindo como rio. Um rio que às vezes dava de frente um com o outro e nas forças das correntezas originavam-se correntes elétricas.

- Hummmm... Que tal falarmos de coisas boas. Coisas que façam rir.
- Não sou comediante. (risos).
- É. Pode até não ser mesmo, mas que parece, parece.
- Sério? Acha então que eu levaria jeito pra palhaço? Tenho dom pra isso.
- Prefiro não dar uma resposta que parece ambígua demais aos seus ouvidos. Pode inervar.
- Fala. Tenho dom pra palhaçada né. Sabe, conheço uma pessoa, prefiro manter sigilo, que ri de tudo que falo. Acho que ela pensa igual a você. Que ao invés de professor eu deveria ser palhaço. É uma boa profissão.
- ( Muitos risos)
- Do que está rindo. De mim, pra mim, por mim...
- Da situação. Me diverte muito. (Mais risos).
- Onde está a graça disso tudo. Quero mudar de assunto.

Era tudo permitido. Todos os diálogos poderiam ali ser travados. Dependia da entonação e das pausas que se colocavam em cada momento.

-Todo bem mim. Mas eu estava gostando do anterior.
- Prefiro outra.
- O quê? Como asssim?
- Outra conversa oras. O que você pensou?
- Não pensei nada.
- Sei... não pensou nada.
- Estou dizendo que não.
- Percebo agora grande inversão na situação. Quem era a pessoa estressada aqui não era eu? Pois está demonstrando agora que no fundo você é pouco diferente de mim.
- É que fala umas coisas que acabam me confundindo. É o lance da ambigüidade que eu tento, a todo tempo, evitar, mas você pelo que percebo, não se importa em me deixar com confusão mental, no bom sentido.
- (Risos) Mas não há confusão mental no bom sentido.
- ...
- ...

Era bastante perceptível que essa conversa não se findaria por tão breve. E ali continuaram por muitas e muitas horas. Grandes descobertas. Mais e mais risos. Às vezes choro. Muitas vezes iam e vinham e no decorrer dos dias a mesma ação se repetia. Havia possibilidade de não se falarem. Muito raramente isso aconteceu. Não existem registros de nenhum dos diálogos travados. Excluíram as pastas que são registradas pela fantástica janela do Windows Live Messenger.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

EIXO SINTAGMÁTICO OU PARADIGMÁTICO

Simplesmente despejaram textos em cima de mim. Pensava que fosse ficar louco porque até no sábado não havia realizado a leitura de nenhum deles. Comecei neste mesmo dia à tarde. Foram horas incessantes de leitura. Achei que teria indigestão por tantas teorias que consumi. Quando me lembrava do relógio já havia passado mais de três horas de atividade consecutiva e parecia que ainda não havia internalizado nada.

Durante todo o sábado e domingo “John Lions”, “Widdowson”, “Guy Cook”, “Paulo Rónai”, “Luciana Maia”, “Agenor de Moura” e outros estudiosos da Lingüística (Aplicada) e das Teorias da Tradução tomaram conta de mim. Alguns, na verdade, invadiram-me sem sequer pedir minha autorização.

A maldita prova oral chegou. Todos meus “amigos” de sala já estavam em suas casas ou em casas de outros, shoppings, fazendas, clubes curtindo suas férias. Não invejo nenhum deles. Meus trabalhos não terminados me prenderam na universidade até agora. As leituras que antes eram doces se tornaram mais amargas que fel. O pior foi ter que finalizá-las.

Primeira pergunta da prova oral. Respondida. E as outras foram vindo. Toda uma banca de professores assistindo aquela minha aula sobre os nove textos que havia, de forma muito forçada, comido. Segunda, terceira, quarta. Não sei essa não. O desespero veio. A quinta invadiu meu cérebro e eu a matei na hora. Aprovado, por misericórdia em Introdução á Tradução. Outra seqüência de questões e três respostas negativas de minha parte. Elas vieram de uma forma que não as compreendia. Não adiantava implorar pro explanação porque tinha que aceitar do jeito que estava. Reprovado de Lingüística Aplicada. Não tive uma carta na manga. Na verdade não existia nenhuma ali a não ser uma angústia e um desespero.

“Infelizmente você não conseguiu ser bem-sucedido nessa parte”. Tudo bem, afinal, sabia do resultado antes mesmo de entrar ali e me sentar na cadeira executiva. Quis vomitar minhas leituras ali mesmo. Ficaria feio demais pra mim e pra todos. Havia mais uma disciplina a ser avaliada. A que me fazia levantar mais cedo que o normal para cumpri carga horária. Outro resultado negativo. Retido outra vez. Duas em um mesmo semestre.

Agora o tão almejado diploma de graduação virá, ainda de uma forma mais difícil. Não aumenta tempo ter que cursar novamente duas disciplinas que já conheço. ""Vai doer no bolso do meu pai””. (permitam-me a dupla aspas).

Não compensou fazer das minhas ocupações (fora da universidade) prioridades. Gerou prejuízos irreparáveis. As escolhas estão postas à mesa para que se selecione a melhor. A escolha foi à “coisa” errada achando que fosse a correta. Sem volta. Repetir apenas é a saída.

Os eixos que faziam-me acreditar no fim desse tédio estão fora de ordem, nem sei qual é o horizontal (paradigmático ou sintagmático?) e muito menos qual é o vertical (sintagmático ou paradigmático?).

Reprovação é um novo léxico acrescentado no sintagma de minha vida.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

CELEBRAR O QUÊ?


Os dias passam tão rápido que já estamos, outra vez, no Natal. Outro dia comentei um texto em que falei sobre as rotinas de nossa vida. O quanto fazemos coisas repetitivas que acabamos por não perceber o tempo passar. Pois bem, mais uma vez vivi um ano de muitas correrias. Faculdade, trabalho, trabalho e trabalhos. Agora, quando vejo que já estamos celebrando o Natal percebo como tudo foi tão ligeiro. Como sempre foi.

Essa é uma época que eu não gosto muito, na verdade não gosto nada. Não vejo no Natal uma época de tantas celebrações assim. Até porque vejo muita falsidade em todas essas luzes piscantes e nos votos de felicidades. Não entendo porque temos que esperar trezentos e sessenta e cinco dias para ter uma noite em família. Odeio ter que esperar um ano para fazer um traca de presentes (claro que não preciso esperar tanto assim, mas a conveção social me modelou).

Agora é época de presenciar grande parte das pessoas se preparando para viajar com a família e visitar os parentes e amigos. Claro que levemos em consideração a vida estudantil e de trabalhador que temos, mas seria muito interessante se, do nada, levássemoos um presentinho para aquela pessoinha que amamos. Confesso que eu nunca dei um presente para alguém que não fosse em seu aniversário ou Natal.

Quero entender onde é que se encontra aquele Espírito do Natal que vivíamos há alguns anos. Onde está Cristo nessa história toda? Vejo todas as pessoas dizendo "FELIZ NATAL E UM PRÓSPERO ANO NOVO", mas não ouço-as dizer "QUE CRISTO RENASÇA HOJE NA SUA VIDA".
Como cistão confesso, me entristeço com tais ações. Quero, sim, celebrar o Natal em harmonia com meus familiares e amigos, mas quero mais ainda celebrar o renascer de Cristo no coração de cada ser humano.

Hoje a África me veio a cabeça, me preocupo com o que as crianças comerão, não só agora, é claro, mas já que tratamos de um momento tão especial. Seria de grande valia se, ao menos, nesses dias de celebrações elas tivessem motivos para celebrar tal fato.

O que me faz sofrer é perceber que não só lá na África, mas ali próximo da minha casa existem pessoas que não terão uma Ceia de Natal.( Nunca tive uma ceia em familia, nós não damos muito valor nisso). Pessoas estarão nas ruas vendo as luzes dos lares piscando, vendo familias degustando perus, pernis, frangos, cocas, guaranás e muito mais guloseimas. Assistindo de longe as trocas de presentes, os abraços acalentadores, enquanto para os que estão assistindo, o dia 25 de dezembro não passa de uma data mais que comum.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

CANÇÃO DA AMÉRICA

Milton Nascimento e “Rogério Teles”
Composição: Fernando Brant, Milton Nascimento e "Rogério Teles"

Amigo é coisa para se guardar debaixo de sete chaves bem dentro do coração. E é assim amiga que eu fiz com você. Procurei lá dentro de mim um espaço para você, mas não encontrei porque você já havia conquistado a sua parte de mim.

Assim falava a canção que na América ouvi, mas quem cantava chorou ao ver o seu amigo partir. Hoje me lembro de nossas primeiras conversas e do quanto eu sentia vergonha de você. Tão culta, escolhendo palavras para falar comigo. E eu, coitado, todo sem jeito. Mas o tempo foi passando e hoje, as vezes, eu te deixo sem jeito. Tlavez com minhas loucuras não planejadas.
Temo muito a sua partida porque essa companheira que conquistei eu não quero perder. Só que assim é a vida. Hoje temos as pessoas e amanhã elas já se foram.


Mas quem ficou, no pensamento voou com seu canto que o outro lembrou e, quem voou, no pensamento ficou com a lembrança que o outro cantou. Muitos foram os momentos em que você me aconselhou para que eu não tomasse decisões mais que precipitadas. Confesso que as vezes me magoou com suas broncas bem dadas, mas ficou. Está tudo aqui, guardado dentro de mim. Quando eu mais quis desistir você me estendeu a mão e me acudiu. Quero ser grato a ti amiga do meu coração.

Amigo é coisa para se guardar no lado esquerdo do peito mesmo que o tempo e a distância digam "não". Mesmo esquecendo a canção o que importa é ouvir a voz que vem do coração. Como fui aliviado naquele dia. Aquele mesmo, o que eu nem encontrei palavras. Me lembro quando você disse que eu não precisava das palavras e que eu deveria apenas me calar e ficar feliz. Obedeci amiga. Pode acreditar em mim. As vezes me senti tão diminuído diante de outras pessoas e você com muita sabedoria consegui me mostrar o valor que tenho. Me valorizo mais hoje. Aprendi a dizer “NÃO” e a dar prioridade a mim. No começo não foi nada fãcil deixar de fazer todos os favores possíveis. Porém hoje me sinto bem mais aliviado.

Por mais que eu escolhesse todas as palavras bonitas para dizer a você eu não conseguiria. Acredito que a simplicidade transmite os verdadeiros sentimentos. Sabe que hoje percebo que o tempo tem nos separado muito. Mas saiba que mesmo assim você continuará tendo um lugar especial em meu coração. Torço muito pelo seu sucesso e você tem o “segredo dos vencedores”. Obrigado, amiga, por toda a motivação que você gerou em mim. Por ter sido sempre minha meste. Irmã. Conselhira e, acima de tudo, MINHA ETERNA AMIGA.

Pois seja o que vier, venha o que vier qualquer dia, amiga, eu volto a te encontrar.
Qualquer dia, amiga, a gente vai se encontrar por muitas outras vezes. Eu sei.


À VOCÊ. AMIGA, REJANE

Com carinho.

domingo, 22 de novembro de 2009

MONSTRINHOS


Dias atrás eu estava procurando alguns vídeos que chocassem meus sentimentos. Queria assistir algo que me fizesse refletir sobre alguns conceitos em relação à vida. Surfando pela rede acabei encontrando um vídeo que mostrava um pouquinho do sofrimento no continente africano. Achei que seria desinteressante porque é tão comum ouvir, ver e ler comentário sobre isso, mas mesmo assim decidi arriscar. Fui assistindo vídeos que falassem sobre essa triste realidade africana.

Foi mais triste ainda descobrir que a fome não é por escassez de alimentos e sim porque a população não tem uma renda suficiente para adquirir os produtos alimentícios. Como é triste observar a imagem daquelas crianças que na verdade se parecem com “monstrinhos” de tão magras que são. Não resisti às lágrimas ao perceber que tenho tudo ao meu alcance e mesmo assim reclamo sempre. Acredito que esse seja o mal do ser humano, nunca estar satisfeito com aquilo que possui.

Desestimulante saber que os governos mundiais, como o dos Estados Unidos, por exemplo, investem mais dinheiro em armas que em alimentos. Poderiam sanar a fome de todo o planeta se desviassem esse dinheiro para esse fim.

Não vivo e nunca vivi a realidade da África. Talvez devesse, nem que fosse por uma semana só para sentir na pele o que eles sentem. Poder contar cada osso do corpo. É muito triste. Apesar de conscientes de tudo isso, nada fazemos para ajudar quem lá se encontra. Sinto-me um nada ao perceber que me encontro aqui no meu quarto, fechado nesse meu mundinho enquanto lá fora as pessoas, da África, estão fechadas nesse mundão sem direito a um quarto como o meu.

Tenho tudo e não sabia. Enfim, vejo minhas dificuldades com outros olhos agora. Às vezes eu chorava porque não tinha o dinheiro do lanche na faculdade. Agora não chorarei mais porque sei que terei almoço quando chegar à minha casa. Tudo que sofri e sofro não se compara com o que vi.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

FALTA?


Desde quando eu vim pra cá me diziam que deveria ser mais compreensível. Que não podia responder minha avó. Que ela já está muito velha e que não tem mais noção do que fala. Eu, como sempre, sempre discordei de tais argüições. Nunca respondi mal minha avó. Nunca vi a velhice dessa forma. Muitas pessoas perdem a noção do que falam muito antes de chegarem na velhice.

Minha avó é muito lúcida. Sabe muito bem do que fala. Não lhe falta memória, apesar de todos os seus filhos pensarem assim. Vive acusando as pessoas. Falando mal de todas as pessoas. Se passa alguém com uma roupa um pouco mais extravagante que o “normal”, ela já acusa de “piranha, puta, safada”. Se passa um homem junto com outro homem, ou se dois homens estão numa mesma bicicleta. Meu Deus, prefiro nem comentar.

No último domingo ela ultrapassou todos os limites de minha paciência. Fez esquete. Não suportei. Sai de casa. Ela, coitada, não acreditou que eu teria coragem para tal ato. Tive. Nem eu acreditei. Fiquei quatro dias fora. Não resisti e voltei. Por ela? Não sei. Devo tanto. Dizem que devo tudo. Acho que não. Somos o que somos independentemente do lugar onde moramos. Penso assim. Não sei você. Mas enfim, voltei. Tudo está aqui. Tudo que preciso em relação a estudos, trabalho, vestimetas....

Foi ótima a estadia que tive fora de meu esconderijo. Quatro dias de noites mal dormidas. Estomago roncando até o amanhecer. Não por falta de alimentos na casa, mas por não fazerem comida com muita freqüência. Eu senti como alguém que se separa do cônjuge. Não sofri tanto assim. Foi tanta pressão para que eu retornasse ao lar que até me senti o “FILHO PRÓDIGO” quando cheguei. Quanta hospitalidade, porém eu até prevejo o futuro. Tudo será como era antes.

Enfim, hoje estou aqui ouvindo barulho de chuva e recordando os dias que não entrei nesse lugar. O mesmo cheiro.Calor. Bagunça. Este é o meu lar. Precioso para mim. Vamos ver se me valorizam agora. Posso ir embora de novo. Não grita comigo.

sábado, 24 de outubro de 2009

eu-SÓ-zinho, um estranho afixo


Estava aqui viajando pela Internet e procurando um motivo para escrever um texto. Até agora, confesso, não encontrei. Ás vezes sinto uma certa obrigação em postar um texto por semana, mas essa vida de tantas correrias não permite. Eu prefiro as madrugadas para tal façanha. É uma façanha mesmo. O silêncio da noite me inspira. Só que hoje é um dia diferente e quero escrever mais cedo. Sinto necessidade de dormir. Tenho me cansado com tantas coisas que me sufocam. Dentre elas posso evidenciar algumas aqui como: família, faculdade, trabalho, igreja e amigos. Lembrando que não as coloquei em ordem por grau de importância na minha vida. Apesar que poderia fazê-lo.

Estou me cansando de olhar para rostos fechados todo o tempo. Quantos olhares condenam-me quando chego tarde em casa depois de um dia cansativo de trabalho. No outro dia não suporto. E o mais engraçado é que não sou (mais) um adolescente e sinto como se fosse. Excluído, rejeitado, indesejado. Acredito que estou louco ao pensar assim. Quero acreditar que não. Vou me tornando insuportável ou eles ou nossa convivência. Não sei. Eu não vejo, nesse povo, alguns, sem escrúpulos, motivo para que tenham minha atenção. Prefiro não ser dialógico aqui em casa. Quantas vezes me refutaram. Hoje não o fazem mais, prefiro preterí-los, talvez, todo o tempo.

Estou me cansando de acordar de madrugada. Como foi prazeroso no começo. Como tudo nessa vida é. Sinto vontade de ficar na cama por mais umas 10 horas seguidas. Tenho plena convicção de que a recompensa virá, se é que já não veio. Já veio. Mas mesmo assim, é um desânimo tão grande que toma conta de mim. Me desliga de tudo. Me apaga. Quando olho para a linha que deixei e percebo que muito sofrimento já é passado. Aquele povo se esbarrando todo dentro do ônibus me irrita. Chegar suado ao ponto todos os dias depois de uns 15 minutos de correria. Voltar em pé depois de uma noite mal dormida e uma manhã de árduo estudo. Ás vezes meus olhos se fecham e me desconecto. Esqueço que estou de pé. Quase caio. Que vexame. Só que tem tanta gente vivendo o mesmo que eu que nem me sinto no direito de rezingar muito. É melhor calar. Já está acabando mesmo.

Estou me cansando de esforçar demais por pessoas que nada querem aprender, ou simplesmente acurar aquilo que já sabem. Tantos alunos me fazem regozijar, outros nem tanto. Mas é preciso suportá-los. Acreditar que um dia se lembrarão daquilo que falei. Como a vida (acadêmica, não) está apenas começando, as coisas não são levadas tão a sério, ainda. Repito que por alguns deles, não por todos. Como tenho me esforçado para limar algumas pedras preciosas que tenho. Verdadeiras jóias. Trigos em meio a joio. Isso já me é mais que suficiente. Se eu puder torná-los melhor, assim o farei. Ao menos um. As britas a gente convive.

Estou me cansando porque por tantos anos eu me dediquei a este trabalho que, de fato, considero tão decoroso. Só que o tempo passou. Hoje a igreja mostra não apreciar o que fiz. Se você faz certo, ÓTIMO, mas se erra, lá estão todos apontando a falha cometida. Sei que a recompensa não é aqui. Mas me diz quem não quer ser reconhecido pelo brávio serviço dedicado. Acho que, em uma certa época, me doei por completo. Foi maravilhoso. Hoje não é mais. Aquela animação passou. Talvez por todas as peripécias mencionados anteriormente. Continuo lá, não como antes. O pior é que as pessoas percebem que já não sou mais o mesmo. Dizem que quero desviar. Mentira.

Estou me cansando da inexistência de meus amigos. Tenho alguns especiais. Nem sei o quê amigos fazem juntos mais. Parece solidão. Acho que foi opção ou eles se foram mesmo. Quem são eles? Não me lembro mais. Prefiro não lembrá-los, não visitá-los, não revê-los, se possível, nunca mais. Parece mais um isolamento. Ontem eu conversava com alguém, muito inteligente por sinal, que disse que o conhecimento nos torna, um pouco, senão muito, incultos (contraditório não?), baldios, ríspidos, indelicados, severos, árduos. Dediquei-me muito a eles. Não valeu a pena. Não valorizaram. Hoje me dedico a mim. Tem alguém me ensinando isso ( Você sabe que é você). APRENDI. Hoje posso dizer que " sou mais eu".

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

NÃO VEJO VAGALUMES COMO ANTES


HOJE UM DELES PASSOU PERTO DE MIM. QUE SAUDADE ME DEU. ONDE ELES ESTAVAM? NÃO SEI.
NOSSA JÁ ESTÁ NA HORA DE IR PARA A FACULDADE. FACULDADE? COISA DE ADULTO. NÃO DE TODO ADULTO. DE UMA MINORIA. ANTIGAMENTE NÃO PRECISAVA IR À ESSE LUGAR TÃO MACABRO, A CERTO PONTO E TÃO FANTÁSTICO DE OUTRO ÂNGULO.
MINHA AVÓ ME MANDAVA TOMAR BANHO NA HORA CERTA. HOJE POSSO PASSAR ATÉ TRÊS DIAS SEM FAZER ISSO QUE ELA NÃO DÁ A MÍNIMA. TINHA HORA ATÉ DE COMER. HOJE NÃO.
BRINCAR ERA ALGO TÃO ENCANTADOR. BRINCAR DE PIQUE, DE ESCONDE-ESCONDO. HOJE NADA DISSO TEM MAIS IMPORTÂNCIA.
OS TEMPOS PASSARAM. A IDADE CHEGA. AS COISAS MUDAM. A GENTE ENVELHECE. TALVEZ, ATÉ FORA DO TEMPO. QUANTAS RESPONSABILIDADES TENHO AGORA. ME SINTO CANSADO.
ME LEMBRO COMO OS VAGALUMES ME DEIXAVA FELIZ. ELES TODOS REUNIDOS. UMA DANÇA DE COR FLORESCENETE. A VOVÓ DIZIA - SE PEGAR E COLOCAR A MÃO NO OLHO CEGA- ATÉ HOJE ACREDITO NISSO. NÃO VEJO MAIS VAGALUMES COMO ANTIGAMENTE. OS TEMPOS MUDAM. A GENTE CRESCE. O ENCANTO SE VAI. ERA TÃO SIMPLES AQUELA VIDA. HOJE TÃO COMPLICADA. MUITO MELHOR QUE ERA. NOS DIAS DE HOJE, É CLARO. NAQUELES DIAS ERA INTERESSANTE TAMBÉM. OUTRAS ILUSÕES. HOJE SÓ GANÂNCIA. ACHO QUE NÃO. APENAS VONTADES. REALIZAÇÕES. DINHEIRO?
CONTO DE FADAS. COMO ERAM ENCANTADORES. HOJE CONHEÇO A EXPLICAÇÃO DE CADA UM DELES. SE É VERDADE O QUE DIZEM NÃO SEI.
AGORA JÁ É HORA DE TRABALHAR. CANSATIVO? NEM TANTO PORQUE É PRAZEROSO FAZER AQUILO QUE GOSTA. GOSTO DE MUITAS COISAS. NEM TODOS SABEM. FESTA? NÃO POSSO IR. TRABALHOS A CORRIGIR. NEM FORAM BEM FEITOS. COMPENSA? COMPENSA. COMPREENDO AS ENTRELINHAS. NEM SEMPRE É POSSÍVEL. TENTO.
NÃO VEJO MAIS VAGALUMES COMO ANTES, PORQUE AGORA OS OLHOS ENXERGAM NOVAS COISAS. É O QUE QUERO? SIM E NÃO. AQUELES OLHOS SE FORAM. OLHOS INOCENTES. DE CRIANÇA. QUE VIA O IRREAL. O BONITO. PERFEITO. PERDIDO. NADA MAIS SE COMPARA AQUELE TEMPO DA INFÂNCIA. MAL VIVIDA. BEM VIVIDA. NÃO GOSTEI. ME ARREPENDO. NÃO DE TUDO, DE NOVO.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

SÓ MAIS DESSA VEZ

Sabe que por várias vezes, já tentei viver sem você, mas nunca consegui. Já perdi as contas dos momentos que eu tentei desfazer qualquer compromisso contigo. O pior dessas tentativas é o sofrimento causado a nós, mais em você é claro. É dificil reconhecer que não se vive sem alguém. Parece dependência. Não queria ter alguém coordenando tudo que faço todo o tempo, mas faz-se necessário.
Agora foi a última vez que eu tento me livrar de você porque todas as outras foram em vão e percebo, hoje, que foi um tempo que desperdicei das piores formas possíveis. Não posso ficar sem você. Acabou se tornando uma jóia para mim. A única e mais preciosa.Aprendi te amar.
Eu até desejei que você me deixasse um dia, só que ao invés disso você me prometeu que nunca me deixaria. Como me agrada saber que você me quer tão bem assim. Pena que eu não te valorizo como você merece. Quem sabe um dia (hoje) eu reconheça seu verdadeiro valor na minha vida.
Sabe muito bem que por muitos anos eu tenho falhado em minhas promessas e lamento muito isso, mas vamos lá de novamente. Como sua paciência me encanta. Me deixa feliz saber que você consegue fazer uma coisa tão boa que eu não sei fazer muito bem - esperar-.Ensina-me.

domingo, 4 de outubro de 2009

JULGAMENTO DE VALORES

" Mais uma vez a mesma conversa".

ID: Mas você hein..., que nunca aprende mesmo. Eu tô cansado dessas suas burradas.Você sabe tudo que não gosto e faz só pra irritar. Quer que eu me afaste de vez.
EGO: Me desculpe, errei de novo.
ID:Desculpe? Você só pode estar brincando com minha cara como se fosse eu um tosco idiota. Acho que é assim que você me vê.
EGO:Claro que não. Eu admiro você e... eu dependo de você para minha formação.
ID: ...a-d-mi-ra? Uma ova. Você nem conhece o significado desse termo, é leigo dimais pra entender.
EGO:Mas..., sou apenas aprendiz.
ID: É.. concordo, mas você é um aprendiz idiota, que não sabe ouvir. Um instante... quem não sabe ouvir não pode se dizer aprendiz.Você não é nada. Só é alguém que não sabe enxergar as coisas que eu consigo. Fica viajando nesse seu mundinho como um retardado. Que mente pequena você tem.

"Enquanto isso a fúria de ID imanava como lava"

ID: Você precisa saber que as coisas não são assim como você pensa. Precisa fazer o que eu digo para que não sofra futuramente.
EGO: Mas eu tenho minhas próprias vontades e desejos...
ID: Vontades e desejos? Você ainda não está pronto pra isso. Depende de mim pra tudo. E faça o favor de parar de tentar tomar conta da minha vida enquanto que eu é que devo assumir esse papel na sua.
EGO: Não adimito que você utilize um linguajar tão sujo como esse. Não sabe conversar sem ofender.
ID: Você a cada dia me prova que é um perfeito idiota. Vai na onda deles então. (Gritando) VAAAAAAAAAAAAAAI.
EGO: Como você gosta de viver das frustrações da vida querido companheiro.
ID: Frustrações que você, com suas crises de.. de... sei lá de que, tem causado a mim. Você é um enganador, desprezável criatura. Todos o veem de uma forma tão diferente do que você verdadeiramente é. Você é um artista. Me enganou.

"E as ofensas não paravam. Até aquele momento nada ainda estava resolvido. Id e Ego, ambos já cansados da discussão, decidem por fim a tal conversa que já estava aos berros".

EGO: Sabe de uma coisa?
ID: (com muita esperança de uma resposta que concordasse com suas ideias) Não. O quê?
EGO: Estou cansado.
ID: Cansado de que?
EGO: De você. Essa pressão, eu não suporto mais.
ID: Hipócrita!!! Até parece que eu te pressiono. Não me interessa sua vida. Faça o que quiser.

"O interior de ID estava ferido e desejava que aquele assunto se desse por encerrado, mas seu orgulho falava mais alto que qualquer outro sentimento".

EGO: Eu sei que você não consegue. Quantas vezes já ouvi esse mesmo discurso. Muda esse papo.
ID: Tomei uma decisão final pra esse assunto. Quero cancelar com você qualquer vínculo. Me desligarei de você. Vai se arrepender. Já que você prefere outras escolhas. Vá em frente. Não faço mais parte da sua vida.Meu valor pra você é nada.

"Ego vira as costas e sai. Depois de alguns dias lá estava Id demonstrando todo amor e carinho que sente por Ego".


Fonte:http://www.psiquiatriageral.com.br/psicoterapia/freud3.htm

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

INICIAÇÃO


"Esta foi uma brincadeira proposta pela minha amiga Rejane Maria (ESPELHO). Ela pediu para eu fazer e, por isso, estou fazendo. Então, vamos lá".

Tem algum (ou mais de um) blog que te ajudou a blogar quando iniciou (dicas, receptividade, incentivos)?

Hummmm... Bom o único blog que, a princípio, me motivou foi o da minha amiga Rejane (ESPELHO). Na verdade eu sempre busco dicas e incentivos no blog dela.

Qual foi sua fonte inspiradora?

Nem tive. Eu acho. Na verdade a Rejane quanse me obrigou a criar um blog. Como ela é empolgada com esse lance de blog eu acabei me interessando também. Mas é sério. A dissertação de mestrado da Rê muito me influenciou.

Blogar é muito gratificante quando:

Se eu fosse a Rejane diria: Quando há interação. Mas essas serias as palavras dela. Para mim, blogar é gratificante quando as pessoas lêem e fazem comentário motivadores.

Não é gratificante quando:

Não vejo comentários em meus textos. Dá uma tristeza e uma vontade de nunca mais blogar. Só que mesmo assim me dá vontade. Só que não inspiração.

Quanto tempo você dedica ao seu blog?

Eu tenho dedicado por volta de uma hora diária. Mas tem dia que eu só entro para ler comentários. E outros dias eu me sinto inspirado a postar.

Em que horário você gosta de blogar?

Quando estou disponível, mas eu prefiro de madrugada porque me sinto mais inspirado pelo silencio da noite.

O mundo da blogosfera seria mais interessante "se":

Todos os blogueiros postassem textos de qualidade. Assim, o blog teria mas respeito e todos teriam mais vontade de ter um blog.


Como minha lista de contado ainda é meio pequena , não tenho muitas pessoas para indicar. Porém quero saber como minhas amigas Amanda Vitória (TURISTA), Caroline Montes (COISAS DE MENINA), iniciaram-se nesse mundo da blogosfera.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

AVANTE!!!


Tenho me acostumado a ficar sem dormir à noite. Não porque a gasto com Internet e sim porque o sono tem fugido de mim ultimamente. Depois de três anos levantando me às 4h e 40min, me sinto cansado, senão, exausto. Quando me deito já temo o próximo dia que chegará como num piscar de olhos. E essa ansiedade não me deixa descansar.

De fato, sou uma pessoa muito ansiosa (alguém sabe muito bem disso), não sei esperar e as coisas sempre são para ontem. Conviver comigo mesmo tem se tornado uma tarefa muito difícil. Não consigo planejar as coisas para um futuro muito distante. No máximo meu futuro será amanhã.

Voltando ao assunto do primeiro parágrafo. Não sei se é o cansaço que tem me acordado pela madrugada e me convidado a refletir sobre muitas coisas que considero desnecessárias. O cansaço não deve ser até mesmo porque ele não teria força suficiente para me despertar. Deve ser algo mais forte. Preocupação? Não. Dívidas? Não (Poderia ser). Ansiedade? Acho que é essa ai. Ser uma pessoa ansiosa não me trás nenhum benefício. Pelo contrário, tenho prejudicado a mim mesmo.

Muitos dizem que "Maracugina" é bom para pessoas com essa característica. Bebi. Dormi quase três dias. Minha vida parou. Não pude repetir a dose - por mais que eu quisesse fazê-lo - . Procurar ajuda psicológica para tal enfermidade - se é que posso chamá-la de enfermidade - seria me considerar um fracasso. Não ser capaz - nem - de dominar a si próprio? Não quero ouvir isso. Não de mim - nem de ninguém - .

Então é aprender a ser mais controlado. Controlado. Me considero assim. Só que não nesses tempos atuais.

Essa faculdade está me matando. E grande parte do que sinto é por excesso de coisas que tenho a fazer para essa instituição. Quem inventou ensino superir não tinha dó da população - que se tornaria acadêmica-, apesar que não estou reclamando disso e sim da minha falta de sono . Quanto mais cansado, menos sono, mais trabalho, menos dinheiro...

Nunca fiz uma contagem, tão detalhada, de 10 meses como estou fazendo agora. Apenas 10 meses. Será que dormirei tranquilo outra vez?

domingo, 6 de setembro de 2009

A-MOR(REU)?


O amor é algo inexplicável. O único sentimento, digamos (ainda), puro. Muitas vezes nosso coração tenta encontrar várias definições para essa palavra. Só que de repente ele a confunde com afeto, carinho, ternura, cuidado, que são sentimentos diferenciados. Estamos constantemente analisando sentimentos em nosso coração para ver se achamos um conceito para aquilo que estamos sentindo no momento.

Ás vezes eu não gosto desse sentimento(amor) porque ele me faz sofrer muito. É muito triste quando se ama alguém e de repente você se vê perdendo tal aquela pessoa . Não sei até que ponto eu amo ou sou possessivo. Pode não ser amor o que sinto, porque não consigo dividir com ninguém as pessoas que amo. Quero que elas sejam apenas minhas. Quero meus amigos apenas do meu lado, me esquecendo que eles são livres para ter outros. Tantos quanto quiserem.


Não aprendi a separar as coisas enquanto criança e agora está bem mais difícil de aprender. Poque chega uma idade que começamos a ficar carentes. Dizem, certas pessoas, que os velhos é que ficam carentes. Mas e quando me pego olhando no espelho com cara de jovem e espirito de velho? ( Um velho desanimado, é claro)

As decepções amorosas nos deixam muito frustrados e com medo de encarar os próximos desafios relacionados ao coração. Não quero sofrer, por isso desejo me abster de todo e qualquer sentimento que possa ser confindido com amor. Pareço estar louco nessa hora, mas é o que sinto no momento. Uma decepção muito grande.

Cansei... não quero mais ensinar - eu quero sim- a essa pessoa que amo (ou possuo?) porque ela se renega a internalizar aquilo que tenho falado. Quero deletá-la de minha vida, não para sempre, porque seria quase impossível. Mas pelo menos por um período de tempo onde meu coração se acostume com a perca... dos beijos e abraços, brincadeiras e machucados, palavras de amor e ódio.

O TEMPO é o melhor dos corretivos que possuímos, e deixo para ele o serviço de tornar branco todo o vermelho de sangue que mancha meus sentimentos nessa hora. Não sei, ainda, ao certo, se esse amor morreu.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

DESCOBERTA ENCANTADORA


Confesso que este final de semana foi um dos mais felizes de toda minha vida. Estava cheio dos compromissos, porém resolvi abrir mão de todos eles. Sei que parece irresponsabilidade de minha parte, mas foi inevitável. Fiquei tão eufório que me esqueci do meio de comunicação mais ágil que existe, o celular. Nesse final de semana minha vida parou e comecei a vê-la de um outro ângulo; com os olhos de minha mãe. Isso mesmo, depois de quase 18 anos sem conviver com minha mãe a encontrei novamente. Foi engraçado quando meu telefone tocou, e disseram: - Rogério? - Sim, ele mesmo. Meu coração acelerou porque era uma voz que nunca havia escutado falar ao meu ouvido. Relaxei e perguntei quem era. - Sou eu, sua tia, irmã de sua mãe. - Oi tia... E por ai foi. Só que de repente ela me dá uma das melhores notícias que eu poderia ouvir naquele dia. A de que minha mãe estava aqui, bem pertinho de mim. Não hesitei e disse logo que queria muito estar com ela naquele dia. Só que algo dentro de mim falava: - Como você é bobo, sua mãe te abandonou quando você era apenas um bebezinho e agora ela vem aqui e você feito idiota vai atrás dela. Para com isso, você sabe que não gosta dela. Vocês nunca se falaram antes e aposto que ela nem vai dar a você a atenção merecida - . Isso martelou em minha cabeça por uns instantes, porém, ignorei. Comprei refrigerante e fui, disposto, ao seu encontro. Quando a avistei, foi tão estranho. Ver ali na minha frente uma das pessoas que mais amo e não ter reação para abraçar ou, simplismente, pegar na mão. Abracei. Foi a primeira vez que senti seu abraço. Tão acalentador. Lágrimas? Não era para tanto. Fiquei em estado de encantamento por uns 15 minutos. Foi quando comecei com um interogatório sem fim.
Foi quando descobri que aquela mulher que eu sempre julguei como sendo a pior de todas, não era. Descoberta encantadora.
Como foi bom ouvir as palavras de minha mãe que dizia:
- Não, eu não te abandonei. Obrigaram-me a deixar você por um tempo e depois disso não consegui tê-lo de volta.
Eu queria não acreditar naquelas palavras, mas acreditei. Não só acreditei, dei a ela meu voto de confiança. Quis demonstrar que eu a havia perdoado e que daqui em diante as coisas seriam diferentes entre a gente. Mas nem deu tempo. Ela já se foi. Só que desta vez eu irei atras da mulher que tanto amo. A mãe do meu coração.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

ONDE É QUE É MESMO?


Hoje eu me perdi entre essas páginas tão ricas e tão perigosas da internet. Estar excluído do meio digital é uma tristeza. Hoje eu sinto o que foi viver e conviver, por mais de 4 anos, frequentando uma Lan House. O proprietário, pelo menos, obteve o lucro para continuar funcIonando, e eu sempre tive as pesquisas de que tanto precisava. Algumas mensalidades ficaram caras.

Como esse universo virtual nos prende!!! De forma a amarrar o nosso sono porque encontramos algo extremamente importante - talvez nem tão importante assim - ou interessante. Amanhã os olhos amanhecem ardendo feito pimenta e a reclamação será inevitável. Preciso me acostumar com essa nova fase de minha vida e deleitar-me em livros, também.

Quanta coisa para ver por aqui: email, msn, orkut, blog, e agora, twitter. Acho que já passei por todos os lugares hoje, mas ainda não me encontro totalmente saciado. Sites bloqueados? Não! A consciência de selecionar os melhores deve reinar, mas acho que nem sempre, mas deveria. Isso nos leva de um lugar a outro e a outro e outros ainda. Já nem sei como comecei, porque agora estou tão longe do início. Acho que nem sei voltar. É melhor ir no X e recomeçar com mais atenção.

AMO MINHA PROFISSÃO


Existe um ditado que diz que "o trabalho enobrece o homem". Segundo o dicionário online Aurélio o termo significa: "Tornar nobre; nobilitar, ilustrar. / Fig. Engrandecer, sublimar./ Engrandecer-se. Tornar nobre; nobilitar, ilustrar." São palavras que parecem não explicar o real sentido da palavra "enobrecer". Eu, refletindo sobre a mesma, acredito que enobrecer vai além desses termos. Enobrecer poderia se traduzir na minha vida como desenvolver-se profissionalmente. E falando em desenvolvimento profissional me despertou uma vontade de postar algo sobre isso.

Quando me inicaram na Educação, eu acreditei que seria algo totalmente temporário e que futuramente seria outra coisa, menos professor. Ainda mais de Redação e Lingua Estrangeira- Inglês. Confesso que, a priori, foi um desafio muito grande - na verdade esta sendo - e que eu não seria capaz de encará-lo. Os desafios nem sempre, ou melhor, sempre nos pegam de surpresa. Arriscar é preciso.

Engressar no universo da docência mesmo antes de ter finalizado a graduação nos molda de uma forma encantadora. Nos ensina, além da teoria, a prática. A prática é algo que ainda me falta, acredito eu. Por mais que o tempo passe, me parece que não dei grandes saltos. Só que nossos olhos nos enganam e, dificilmente, enxergamos melhoras em nós mesmos. O mais incrível é que as pessoas que nos rodeiam, elas sim , reconhecem nosso valor, mas nem sempre. Muitas vezes nos pizam e nos machucam.

Não saberia dizer se essa vida de professorar é muito agradável em relação a parte financeira, mas posso, com toda convicção, afirmar que tenho ao meu lado as pessoas mais inteligentes, os meus alunos. Como me ensinam sobre as coisas da vida. Convivência, paciência, respeito e... por ai vai uma enorme lista.

Falar que nascemos com vocação para o ensino é tolice. Professor não é missionário. Professor não nasce professor, pelo contrário, ele é totalmente moldado. Quantos pensam na possibilidade de que professor veio ao mundo pronto. Sendo assim, dispensaríamos a graduação as suas pós da vida.

Estou em formação, nada está pronto ou definido ainda. Tudo que se constrói no momento precisa ser, detalhadamente, analisado, aplicado, descartado, aprimorado ou incorporado à minha ação quanto docente. Eu devo muito a eles, meus alunos, que muito me incentivam a proseguir nessa tão árdua tarefa. A tarefa de formar mentes brilhantes.